#CADÊ MEU CHINELO?
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domingo, 22 de abril de 2012
[do além] DESAMBIGUAÇÃO
::txt::Demóstenes::
O futebol, o Pepeu Gomes e a Baby do Brasil são pródigos em nos apresentar nomes que desafiam os ouvidos. Deivid, Richarlyson, Arianderson, Dielton, Shayder Zabelê, Nana Shara. É realmente tentador fazer graça com nomes inventados, especialmente quando a grafia tenta emular a sonoridade de um outro idioma. Não acho isso divertido. Cada um que invente a nomenclatura que quiser. Considero muito pior a mania de homenagear as grandes personalidades do passado. Por um simples motivo: não há como prever se o rebento honrará o nome que recebeu. Nem todos possuem a sorte de Sócrates, por exemplo. O ícone da filosofia ocidental teve um homônimo brilhando nos gramados e nas letras. Quantas pessoas devem ter se interessado pelo pensamento socrático por causa do jogador. O.k., reconheço que há ocasiões em que a homenagem não causa nenhum arranhão ao homenageado. O jogador Allan Kardec não desonra seu antecessor, mas tampouco aumenta seu nome. Mas não vim aqui dissertar a respeito de nomes. Vim, sim, comentar a minha falta de sorte. Nunca figurei entre os mais conhecidos pensadores, filósofos e políticos gregos. Não entrei para esse Olimpo. O grande público ignora minha existência. Eu existo para um pequeno grupo de estudantes e acadêmicos. Portanto, o primeiro e único Demóstenes que a população brasileira conhece é o amigo do Carlos Cachoeira. Vejam que tragédia para a glória de grande orador. É como se as pessoas identificassem o Beethoven como aquele cão são-bernardo e ignorassem o compositor clássico. Na real, é até pior. O cachorro atuava bem. Para piorar a situação, há algumas coincidências entre a minha biografia e a de Torres. Tive problemas com a Justiça. Fui condenado por facilitar a fuga de um ministro de Alexandre, o Grande. Trabalhei durante algum tempo como logógrafo, que nada mais é do que redigir discursos para particulares que iam defender suas próprias causas nos tribunais. Algo que o ex-senador do DEM praticou também, só que na via inversa. O Carlos Cachoeira escrevia e o Torres legislava. Desculpem o desabafo e a preocupação excessiva com a imagem. É que me encontro em situação complicada. Não sei o que fazer para impedir o eclipse de meu legado. Qualquer esforço para manter a minha ficha limpa pode aumentar ainda mais a confusão.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
[do além] FILOSOFIVIS DO MÉ

::txt::Mussum::
Há uma série de livros de divulgação filosófica que se valem de filmes, séries de televisão e ícones do entretenimento para trafegar certos conhecimentos que, de outro modo, ficariam confinadosao mundo acadêmico. Juan Antonio Riveira, por exemplo, aproveita clássicos do cinema,como Casabalanca e Cidadão Kane, para introduzir conceitos filosóficos em seu livro O Que Sócrates Diria a Woody Allen. Outro autor, chamado William Irwin, vem investindo nesse filão e já emplacou vários sucessos como A Filosofia Segundo Seinfeld, O Essencial e Definitivo – Harry Potter e a Filosofia e A Família Soprano e a Filosofia. Eu, honestamente, fiquei esperando que algum escritor ou professor de filosofia mais atento se debruçasse sobre minha vasta coleção de frases lapidares. Talvez minha maneira peculiar de usar o idioma tenha obscurecido a riqueza do material.
Mas algumas das grandes questões estão lá: o que é a realidade em si mesma? O que é essencial? O que é certo e o que é errado? Cansado de aguardar por algum intelectual que não tenha mais o que fazer, decidi eu mesmo realizar a tarefa. Como Wittgenstein, acredito que os problemas filosóficos tradicionais são resultantes de confusões linguísticas. Adianto aqui um pouco do livro que em breve pretendo publicar Mussum e a Filosofivis do Mé.
Se suco de cevadiss atrapalha seu casamentiss, abandone sua mulher, cacildiss!!
Procurei com esse aforismo uma aproximação com o poeta inglês William Blake, que certa feita disse: “O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria”. Mais que uma apologia ao álcool, a frase conclama o homem a perseguir os seus desejos mais persistentes. E extrair da vida, através da disciplina, não só seu fruto, mas seu suco. No caso, “de cevadiss”. Colocar o consumo de álcool à frente de uma relação marital é um exagero cômico que questiona a importância de um dos valores fundadores de qualquer sociedade: a família.
Vai caçá sua turmis!
Esse modo vulgar e insolente de expressar contrariedade eclipsa uma sofisticada abordagem psicológica. Ao corromper a forma original "vai procurar tua turma", demonstrei que o processo de busca da identidade, a partir do olhar do outro, é uma verdadeira caça. Cujo êxito só é alcançado por meio de múltiplas experiências. Daí a necessidade de verter o substantivo turma, que em si já encerra a ideia de coletivo, para sua forma inexistente no plural “turmis”. Algo conseguido com o acréscimo de uma esdrúxula apóstrofe “s”. Esta última, incluída para satirizar o processo de submissão da identidade brasileira à americana.
Casa, comida, três milhão por mês, fora o bafo!
O dito popular “casa, comida e roupa lavada” expressa o denominador mínimo para que um indivíduo mantenha sua dignidade e uma vida confortável. Na versão paródica, a expectativa é quebrada pela inclusão de “três milhão milhão por mês, fora o bafo” e supressão de “comida e roupa lavada”. Essa inversão levanta uma questão fundamental da filosofia: o que é essencial e o que é supérfluo?
Tá tudo muito parádis? Toma um mé que o mundo vai girarzis!
Com essa frase, creio que consegui explicar de uma maneira bem simples a teoria da relatividade. Há também aqui um paralelo com o mito da caverna de Platão. Onde o mundo parado é a sombra projetada na parede e o mé representa a realidade ou a libertação.
Ai que pênis.
Essa era só pra fazer graça mesmo.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
[do além] A INGRATIDÃO DE PLATÃO
::txt::Sócrates::
“SE A MENTIRA TEM PERNA CURTA, POR QUE ELA CORRE MAIS QUE A VERDADE?”. Essa o Platão não anotou.
Continuo sendo um dos pensadores mais influentes da história da humanidade. Isso me enche de orgulho, apesar de que meu sonho mesmo era ter sido jogador de futebol. Ocorre que, como todos bem sabem, não deixei nada registrado. Minha produção intelectual foi toda escrita por meu discípulo Platão, que – também é de conhecimento de todos – estava sempre apaixonado. Portanto, muita coisa que eu disse ficou deturpada, outras mal explicadas, algumas carentes de explicação e outras necessitando de atualização. Deixei a preguiça de lado, resolvi eu mesmo vir aqui fazer essa revisão crítica de minha obra, depois que Platão ameaçou me cobrar pelos serviços de secretaria. Ingrato. Fez-se nas minhas costas.
Conheça a ti mesmo.
Se ao fazer isso você se descobrir um chato, parte para outra. O mundo é cheio de gente interessante para você perder tempo com a pessoa errada.
Só sei que nada sei.
O pessoal quando depõe em CPI adora citar essa.
O que deve caracterizar a juventude é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça, a educação. São estas as virtudes que devem formar o seu caráter.
Ao que se conclui que o Dado Donabella é um pós-socrático.
A um homem bom não é possível que ocorra nenhum mal, nem em vida nem em morte.
Meu Zeus! Como pude ter sido tão ingênuo? Também não imaginei que o Dunga daria bom técnico.
O ideal no casamento é que a mulher seja cega e o homem surdo.
Não vale aquele expediente de fingir que não viu e fazer que não escutou.
O verdadeiro conhecimento vem de dentro.
O que não quer dizer que todo filho que você parir será um sábio.
Não vivemos para comer, mas comemos para viver.
A frase só exprime uma verdade se você estiver falando de alimentos.
O amigo deve ser como o dinheiro, cujo valor já conhecemos antes de termos necessidade dele.
Eu tinha um amigo que era um peso argentino.
A maneira de se conseguir boa reputação reside no esforço em se ser aquilo que se deseja parecer.
No entanto, os travestis não têm boa reputação.
A formosura é uma tirania de curta duração.
Mas pode me tiranizar à vontade, Megan Fox, enquanto a sua durar.
Uma vida não suscetível de exame não vale a pena ser vivida.
Cunhei essa frase para um laboratório de análise. Mas como socrático não pude cobrar.
Não te contentes em admirar as pessoas bondosas. Imita-as.
Só para avisar: não é aquela imitação tipo Tom Cavalcante.
Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade.
O difícil é explicar isso pro Hildebrando Pascoal.
A eloquência é a arte de aumentar as coisas pequenas e diminuir as grandes.
Engraçado que japonês, que deveria, não é eloquente.
Conheço apenas a minha ignorância.
Mas se quiser me apresentar a sua, fique à vontade. Quem sabe elas podem ser boas amigas.
É sábio o homem que pôs em si tudo o que leva à felicidade ou dela se aproxima.
Como é inteligente esse Brad Pitt. Credo.
É costume de um tolo, quando erra, queixar-se dos outros. É costume de um sábio queixar-se de si mesmo.
Como posso ser tão estúpido? Não adianta, eu faço tudo errado mesmo!
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