#CADÊ MEU CHINELO?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

[a vida como ela noé] VIVER NA CIDADE

 :: txt :: Fausto Erjili ::


 Estamos tão acostumados com a vida urbana que achamos que ela é normal. Mas não é.

Ao contrário das formigas e das abelhas, os seres humanos geralmente vivem em grupos pequenos, familiares, bem isolados uns dos outros. E aí você pergunta: como assim? E as cidades? E as metrópoles ao redor do mundo, uma mais imensa que a outra, aquelas enormes manchas de eletricidade visíveis do espaço onde milhões de pessoas se amontoam umas nas outras? Ora bolas, as cidades. Cidades são exceções na história humana. Desde que o primeiro humano pisou a Terra num canto esquecido da África, 100 mil anos atrás, a enorme maioria dos Homo sapiens viveu na roça, no mato, no campo. A enorme maioria das pessoas que já existiram teve uma existência rural ou selvagem e viveu a vida produzindo sua comida, dormindo e acordando ao sabor da luz do sol, convivendo com apenas um punhado de pessoas, sempre as mesmas, a vida inteira.

O ser humano é, como regra, uma espécie rural. Foi só nos últimos milênios que descobrimos o conforto de viver numa cidade. E, mesmo então, gente "da cidade", como eu e muito provavelmente você, sempre fomos uma exceção nesta nossa espécie rural. Sempre fomos minoria. Na verdade, ao longo de dezenas de milhares de anos, a população urbana nunca passou de um terço do total de pessoas. Em 1950, ela era de 30%. Mas, de lá para cá, ela não parou de aumentar. A ONU calcula que, depois de 100 mil anos de maioria rural, a população urbana chegou a 50% em maio de 2007. E agora, pela primeira vez desde o Big Bang, somos maioria. Há mais gente vivendo em cidades que no campo neste mundão. Mas isso não apaga o fato de que somos uma espécie mais dada à vida rural que à urbana.

A evolução nos construiu para plantar, capinar, colher, caçar, fofocar, coçar o dedão. Não para googlar, dirigir e falar no celular - isso aí ainda estamos aprendendo. Nossa vida tecnológica e urbana é uma raridade na história da humanidade. Mesmo assim, é nas cidades que os lances mais emocionantes da história humana acontecem. É que cidades são lugares incríveis. Nelas, as coisas ficam perto umas das outras. As pessoas ficam perto umas das outras. Isso permite que tenhamos vidas riquíssimas, que seriam impossíveis num meio de mato.

Podemos aprender com milhares de pessoas diferentes, circular entre culturas, trocar idéias. Podemos mudar de interesses um trilhão de vezes, em vez de passar décadas submetidos ao mesmo monótono calendário ditado pelas estações do ano, que determinam o plantio e a colheita. Tudo isso é fascinante.

Mas não faz sentido viver numa cidade se não formos aproveitar o que ela tem de bom. Se formos nos trancar em nossas casas, e não andarmos nas ruas, não vamos encontrar os outros, aprender com eles. Se nos dispersarmos com a quantidade de informação, não vamos nos concentrar em nada, e o que a cidade tem de fantástico vira ruído. Se formos nos domesticar por um empreguinho e nos acomodarmos com o fato de que precisamos do salário, toda essa riqueza desaparece de nossas vidas. Se entupirmos as ruas com carros e lixo, com câmeras de segurança e muros, aí ninguém se encontra, ninguém troca. E a cidade não serve para nada.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

[agência pirata] PERMACULTURA



Permacultura é o planejamento e a manutenção conscientes de ecossitemas agriculturalmente produtivos, que tenham a diversidade, estabilidade e resistência dos ecossistemas naturais. É a integração harmoniosa das pessoas e a paisagem, provendo alimento, energia, abrigo e outras necessidades, materiais ou não, de forma sustentável.

O design na permacultura é um sistema para unir componentes conceituais, materiais e estratégicos em um padrão que opera para beneficiar a vida em todas as suas formas.

A filosofia por trás da Permacultura visa trabalhar com a natureza, e não contra esta. É um trabalho de observação do mundo natural (...) Necessitamos observar os sistemas em todas as suas funções, ao contrário de exigir somente um produto destes.

O objetivo é a criação de sistemas que sejam ecologicamente corretos e economicamente viáveis; que supram suas próprias necessidades, não explorem ou poluam e que, assim, sejam sustentáveis a longo prazo.

Acredito que a harmonia com a natureza é possível somente se abandonarmos a idéia de superioridade sobre o mundo natural. Lévi-Strauss disse que o nosso erro mais profundo é o de sempre julgarmo-nos "mestres da criação", no sentido de estarmos acima dela. Não somos superiores a outras formas de vida; todas as criaturas vivas são uma expressão de Vida. Se pudéssemos ver essa verdade, poderíamos entender que tudo que fazemos a outras formas de vida, fazemos a nós mesmos.

A Permacultura é um sistema pelo qual podemos existir no planeta Terra utilizando a energia que está naturalmente em fluxo (...) sem destruirmos a vida na Terra.

(...) em culturas humanas sustentáveis, as necessidades energéticas do sistema são supridas pelo mesmo sistema. A agricultura moderna de latifúndios é totalmente dependente de energias externas. Essa mudança de sistemas permanentes produtivos (onde a terra pertence a todos) para uma agricultura anual e comercial (onde a terra é considerada uma mercadoria), envolve a mudança de uma sociedade de baixo consumo energético para uma de alto consumo, com o uso da terra de uma forma exploradora e destrutiva, com uma demanda de fontes de energia externas, principalmente supridas por países do "terceiro mundo", como combustíveis, fertilizantes, proteína, trabalho (...)

A produção agrícola convencional não reconhece seus custos verdadeiros: a terra é minada em sua fertilidade para produzir grãos e vegetais anuais (...) a terra sofre erosão pelo excesso de animais nela mantidos (...) terra e água são poluídas com produtos químicos.

Não podemos mais arcar com os custos verdadeiros de nossa agricultura. Ela está matando nosso mundo, e nos matará.

(...) tudo de que necessitamos para uma vida boa está nos esperando. Sol, vento, pedras, mar, pássaros e plantas nos cercam. A cooperação com todas essas coisas nos traz harmonia...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

[rango] TEMPEROS COM DEVOÇÃO NAS ALTURAS!

:: txt :: Toniolo ::

 Imaginem um encontro nas alturas. Foi o que aconteceu neste dia 14.09.2012.
O nosso almoço foi realizado no 7ª andar da Casa de Cultura Mário Quintana.
Café Santo de Casa.
Do alto, vislumbramos uma das vistas mais lindas do centro da cidade, o Rio Guaíba.



Este encontro foi um divisor de águas para nós.Explico.Foi o primeiro almoço realizado entre “cinco” pessoas.Convidei o amigo de longa data, Délcio Costa Junior.Tive o privilégio de conhecê-lo nos campos de futebol da vida. Amigo em comum do Leonardo Chacon, desde os tempos de colégio.
Já que somos apreciadores de uma boa comida, bebida e rock, pensei em porque não formar um quinteto? Somos quase uma banda de rock. Brincadeiras a parte, vamos às entrelinhas do dia.

Conforme o protocolo fui o primeiro a chegar ao local, junto com o confrade Alberton. Não demorou muito para o nosso convidado aparecer no restaurante. Renato chegou tempo depois, Chacon como sempre, aos 48 minutos do intervalo. Escolhemos as bebidas do dia.
Délcio, Alberton e Renato no vinho. Vice e Chacon na Ceva.

Nos pratos quentes, fomos unânimes num prato: Pai Nosso (medalhão de filé grelhado com molho de requeijão, batata rústica, arroz e mini salada).



Exceto Renato, que preferiu outro prato.


O ponto fraco deste restaurante é o tempo de espera dos pratos quentes.
Esperamos mais de uma hora. Pra quem vai almoçar com pouco tempo, não recomendo.

No quesito sobremesa, optamos por copo de negrinho e Renato como sempre o do contra
neste dia, pediu um cake.





O dia estava ensolarado, deveria ser proibido trabalhar nas sextas à tarde!O clima deste encontro foi diferente, com um tempero da altitude talvez.







A pérola do dia, foi do nosso convidado, olhou para todos e disparou:
- Isto aqui está parecendo o Sala de Redação!

Pronto. A partir do próximo encontro, vamos usar de piloto um gravador. Vai ser um tipo de cápsula de diálogos do tempo, combinamos de guardar por 15 anos, sem ouvir. Aonde estaremos quando se reunirmos para escutar estes almoços? Existirá a Confraria ainda?
"Aguardemmmm", né Silvio Santos?



Acima, uma visão do restaurante Santo de Casa. Notem no chapéu o logo do antigo Hotel Majestic, este local respira cultura. No interior temos a impressão de outro restaurante, com a decoração de santos e etc.


 
O pôr do sol é o carro chefe do local! Rola um acústico sempre no final de tarde.



O presente musical deste mês foi uma homenagem a uma banda da nova safra gaúcha, o primeiro cd da Apanhador Só (2010). Já foram premiados com um Prêmio Açoriano de Porto Alegre.Eles são uma mistura bacana de Los Hermanos e Vitor Ramil.


Pra que quiser conferir algumas informações no site do Santo de Casa, segue abaixo:

http://www.cafesantodecasa.com.br/


A confraria está cada vez mais fortalecida, isto é fato.Aonde este projeto-brincadeira vai parar não faço idéia, faz parte da magia e sabor da vida.
Estamos sempre buscando novos desafios culinários, não tem preço estes encontros.
A amizade é algo inexplicavél nestas nossas passagens de evolução terrena. Sua força constrói impérios, risadas e principalmente momentos como desta sexta inesquecível no meu hard drive apelidado de cerébro.

Um forte abraço na alma.
By Toniolo.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

[...] LÂMINA

:: txt :: Júlio Freitas :: 

Uma torneira pingando. Cortinas fechadas. Ela chorava, agachada num canto, não estava confusa ou indecisa, simplesmente aguardava o momento certo, pois sabia que era inevitável. Olha para a lâmina que deixara entre seus pés e para a sombra que os poucos móveis faziam na parede de tom pastel.

Então uma certeza se apossa dela, e sente como se um fósforo tivesse sido riscado entre seus olhos. Suas lágrimas secam.

E agora não era somente a torneira que pingava.

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