#CADÊ MEU CHINELO?

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

NOÉ AE?!: Festival Mimo de Cinema


A INTERNET NÃO ESQUECE

::txt::Ronaldo Lemos::

Errar é humano. Esquecer também. E isso é um problema para a internet. Ao contrário de pessoas reais, a internet não “esquece” o que é colocado nela facilmente. Aposto que muita gente já se irritou com algum texto, um comentário, foto ou vídeo que está postado na rede e que diz alguma coisa que preferíamos que fosse esquecida. E nem sempre é fácil remover conteúdo da rede. Quem já tentou sabe bem do que estou falando.

Isso pode ser especialmente complicado para crianças e jovens que estão crescendo agora na rede. Obviamente, a maioria não pensa que aquela participação mais empolgada no fórum dos Jonas Brothers ou aqueles comentários malvados deixados em algum canto da internet podem acabar disponíveis por muitos anos. Mesmo quando ter sido fã dos Jonas Brothers não for mais uma lembrança que queremos guardar ou compartilhar publicamente.

A situação agrava-se ainda mais por conta de atividades como o sexting, termo que se refere à prática nem um pouco saudável de adolescentes que mandam fotos sensuais de si mesmos para outros adolescentes e que muitas vezes acabam sendo postadas online. E, a partir daí, removê-las definitivamente da rede é uma tarefa bastante complexa.

É claro que parte da garotada, mesmo intuitivamente, começa a perceber os riscos da exposição excessiva. E criam eles próprios estratégias para se adaptar. Por exemplo, adotando apelidos diferentes para a vida online, que ocultam seu nome real. É comum ver na internet nomes como Bellavamp ou Lordmorpheus como principal forma de expressão da identidade de jovens online (claro que os apelidos mudam de acordo com a “turma” e os gostos de cada grupo). Isso ao menos afasta a possibilidade de vinculação direta entre o comportamento desses jovens na internet e sua identidade real.

Mas o fato é que a questão do esquecimento na rede vai ficar cada vez mais séria. Um exemplo é que começa a surgir, lentamente, a construção de um “direito ao esquecimento”, já visível em tribunais do mundo todo. Na França existe uma proposta de lei que está sendo debatida e propõe a criação do direito de qualquer usuário de pedir o apagamento de informações antigas sobre ele. É claro que o tema é complicadíssimo, especialmente porque se contrapõe a questões como interesses históricos, de memória e preservação da informação.

Jornais apagados

No Brasil o assunto ainda não tem definição, mas há decisões aparecendo aqui e ali. Uma delas sobre o caso Doca Street, condenado pelo assassinato da atriz Angela Diniz. Ele conseguiu uma decisão impedindo a Globo de fazer um documentário sobre o caso, alegando já ter cumprido sua pena e que queria ser esquecido, para poder viver uma vida normal.

As decisões no Brasil são ainda contraditórias e vão continuar assim por um bom tempo. Uma coisa é certa, no entanto. O direito ao esquecimento pode ser importante, mas precisa ser muito bem delimitado. De outro modo, pode chegar o dia em que jornais, sites e outros veículos de informação sejam obrigados a apagar seus arquivos, em nome de interesses pessoais. E, nesse caso, o direito ao esquecimento muda de nome e se torna um problema. Passa a se chamar revisionismo histórico.

A SOCIEDADE VOLUNTÁRIA: 3) Crises econômicas



::txt::Eric P. Duarte::

3) Crises econômicas:

No livre mercado é natural empresas falirem. A invenção da luz elétrica deve ter falido muitos fabricantes de velas, a invenção do carro acabou com as carroças, o computador aposentou as máquinas de escrever e, assim por diante.

A função natural do empresário é prever as preferências dos consumidores e empreender nesta direção. Por vezes empresários erram em suas previsões, mas isto deve representar sempre uma porção minoritária na economia e em setores específicos, visto que a função do empresário é justamente acertar neste sentido.

O livre mercado funciona como uma espécie de seleção natural empresarial, tirando do setor os ineficientes e dando espaço para aqueles que de fato estão oferecendo bens e serviços pelos menores preços e com a melhor qualidade, trazendo progresso para toda a sociedade.

As crises econômicas são caracterizadas por erros empresariais generalizados. De repente todos os empresários experientes passam a parecer amadores. Na crise, as falências, o desemprego e o desespero se espalham. A explicação para tais erros generalizados só pode estar naquilo que liga toda a economia, o dinheiro.

O dinheiro tem a sua origem em interações voluntárias e não em decretos Estatais. Antes dele, as trocas tinham que ser diretas. Suponhamos que um indivíduo X, que possui bananas, queira comprar peixe. O indivíduo Y, que possui peixes, só quer trocá-los por trigo. O indivíduo X então teria que encontrar um indivíduo Z que quisesse trocar bananas por trigo.

Como podemos ver, o processo de trocas era muito limitado pelo escambo e atrasava o progresso da sociedade. O dinheiro surgiu naturalmente como algo que possuía valor para todos e tinha uma alta “trocabilidade”, suprindo assim a necessidade de um denominador comum. Frequentemente o ouro foi a moeda adotada por sua beleza, oferta limitada e fácil divisibilidade.

Sendo o dinheiro um produto como outro qualquer, ele também está subordinado às leis da oferta e demanda. No caso de uma moeda natural (como o ouro) com uma oferta limitada, à medida que mais agentes entram no mercado, o poder de compra da moeda aumenta devido à queda na sua oferta, tornando todos mais ricos ao longo do tempo.

Outro fator importante em um mercado monetário natural é a taxa de juros. Esta taxa é quem equilibra poupança e investimentos. Um indivíduo só pode investir quando ele tem uma poupança ou quando alguém que tem uma poupança está disposto a emprestar para ele sob alguma taxa de juros. Quanto maior for a oferta de poupança, menor será a taxa de juros no mercado. Ter um bem no presente vale mais do que ter o mesmo bem apenas no futuro. A taxa de juros do mercado indica o quanto as pessoas preferem os bens presentes aos bens futuros.

Quando o Estado tomou para si o monopólio da oferta monetária, forçando todos a adotarem o papel-moeda emitido pelo banco central como dinheiro, toda esta história de equilíbrio mudou. É justamente deste poder monopolístico que surgem as crises econômicas.

O momento que antecede uma crise é chamado de boom, ele é um período de crescimento e principalmente de investimentos em bens de capital. Acontece que este crescimento não é sustentável.

No boom, o banco central está inflando a oferta monetária e forçando a taxa de juros para baixo. O banco central também está estimulando os demais bancos a emprestarem mais e mais dinheiro sem lastro, isto é, sem terem o equivalente em depósitos bancários. Com a taxa de juros artificialmente baixa e a oferta monetária crescendo, todo mundo começa a investir com a idéia de que a economia e a poupança estão em alta. Milhares de investimentos ruins são estimulados. A crise se dá quando a insustentabilidade destes investimentos vem à tona.

A crise nada mais é do um período de ajuste, onde os maus investimentos precisam ser liquidados para dar lugar a investimentos sustentáveis. Acontece que o Estado sempre culpa o “livre mercado” pelas crises e se diz o único capaz de salvar a economia. Ele então começa a “salvar a economia” com os mesmos métodos que criaram a crise, postergando assim o ajuste necessário. É como dar mais álcool para um bêbado para evitar a ressaca. As conseqüências ficam cada vez piores com as medidas tomadas pelo Estado, o grande salvador. O que poderia ter sido uma pequena recessão se torna então uma grande depressão.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

BOM FIM É O NOVO MOINHOS DE VENTO

::txt::Wladymir Ungaretti::

O bairro Bom Fim, em Porto Alegre, passa por mais uma radical mudança. Será, em breve, o novo Moinhos de Ventos. Da rua Santo Antônio até a Ramiro Barcelos existem pelos menos uns 15 grandes empreendimentos imobiliários. Ainda recentemente, na Osvaldo Aranha, entre a Fernandes Vieira e Felipe Camarão, em questão de três semanas foi levantada uma grande garagem em estrutura pré-moldada.

Este é um registro que não será encontrado nos “jornalões” da mídia corporativa. Não estamos fazendo nenhum juízo de valor. Não é por obra do Divino Espírito Santo que, seguidamente, são anunciadas melhorias da infraestrutura do bairro. A empresa OPUS, por exemplo, “comprou” do município o Auditório Araújo Viana. Volta a discussão da construção de um grande estacionamento embaixo do campo de futebol do Parque da Redenção. E mais cedo ou mais tarde, quando o perfil do bairro estiver “melhor”, o PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicação) deverá promover um plebiscito para que a “nova população” (destes prédios maravilhosos) autorize o gradeamento da Rendenção. Um dos mais altos índices de valorização dos imóveis, em Porto Alegre, ocorre nesse bairro, historicamente ocupado pela comunidade judaica. O jornal “Estado de São Paulo”, o “Estadão”, brigando menos com a notícia e com um menor grau de interferência dos interesses econômicos, já teria teria registrado esta e outras mudanças que ocorrem, lentamente, na cidade. O antigo “Jornal do Brasil” registrava as transformações da cidade do Rio de Janeiro com grandes matérias. A cidade real não existe nas páginas dos “jornalões” do gauchismo babaca. Só perfumaria ou secos e molhados.

Na vagabundagem, flanando pela cidade em Derivas diárias, somos capazes de apontar umas duas ou três pautas por dia. Sem esforço investigatório. Coisa simples para jornalista que se desgrude da Internet, do telefone e que consiga tirar sua bunda da cômoda cadeira da redação.

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